MARIO CRAVO NETO E MAUREEN BASILLIAT
Durante a segunda aula do Ateliê Integrado de Arquitetura, foram dados a nós dois fotógrafos para que pudéssemos expandir o nosso repertório cultural e começar a analisar alguns aspectos da fotografia, como o enquadramento e as sombras. Ao grupo em que eu estava foram designados os artistas Mário Cravo Neto e Maureen Bissiliat. Cabe, então, discorrer um pouco sobre suas vidas e selecionar duas fotografias de cada.
Mario Cravo Neto foi um importante fotógrafo versátil baiano. No início de sua carreira, trabalhou com esculturas acrílicas e, depois, migrou para a fotografia. Suas imagens incorporavam a temática do Candomblé e catolicismo, além de serem recorrentes a baixa luz, o enquadramento fechado e o foco “crítico”. Ademais, foi justamente através retrato sutil e discreto da religiosidade do Candomblé que Cravo Neto se destaca, uma vez que, por meio dele, ele conseguia engajar e sensibilizar os observadores de suas obras.
| "Deus da Cabeça" - 1995 |
| "Homem com Dois Peixes" - 1992 |
Nesta
segunda foto, fica evidente a decisão de Cravo Neto em fotografar em estúdio.
Ao criar em tal meio, o autor monta o seu cenário, detém mais controle e,
assim, coloca o objeto fotografado em primeiríssimo plano, ao optar por um
fundo preto, que o destaca ainda mais. Ademais, ao analisar com mais precisão a
obra “Homem com dois peixes”, têm-se a percepção de uma iluminação proveniente
da esquerda que traz luz às escamas dos peixes, iluminando a parte central e do
topo da foto, ao mesmo tempo em que cria sombra na região das costas e lado
direito da fotografia.
| Foto do conjunto "A Guimarães Rosa" - 1974 |
Em
primeira instância, o uso da Regra dos Terços, por meio da qual a foto é
dividida igualmente em duas linhas verticais e duas linhas horizontais, com o
foco de interesse localizado em um ou mais dos pontos de encontro, utilizada
por Maureen Basilliat, confere destaque, a partir da luz, ao quadro central da
fotografia em questão, fazendo com que vaqueiros estão. Outra característica
nas obras fotográficas da artista é a utilização da luz natural, uma vez que
muitos de seus retratos foram feitos em viagens com o propósito de registrar um
Brasil “desconhecido” ao trabalhar com diversos autores para a construção de
imagens como objetos narrativos. Não obstante, o ponto de fuga coincide com a
iluminação central, o que encaminha e carrega o olhar do observador, além de
criar sombra em toda a parte inferior.
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| "Menino Anjo": sonhos e voos... - 1965 |
A
luz da última foto selecionada é oriunda de uma janela que se localiza à
esquerda do enquadramento, fazendo com que apenas uma parte de sua face, de sua
asa e o local fora da janela estejam iluminados, enquanto quase todo o resto
está sombreado. Além disso, é interessante ver a interação da luz e da sombra
com as texturas dos diferentes elementos da foto. Ressaltarei, aqui, as duas
alas das asas, uma vez que o lado que se encontra na parte esquerda da foto é
caracterizado pela claridade e quase homogeneidade de seu aspecto, enquanto o
lado oposto é marcado pelas sombras dentro do próprio objeto, o que permite uma
visualização mais detalhada e texturizada, estabelecendo camadas e cortes e
provocando a reflexão daqueles que a veem.
Para
finalizar as análises, é impreterível estabelecer comparações e semelhanças
entre ambos os fotógrafos. Primeiramente, Mario Cravo prefere a ambientação do
estúdio e suas fotos revelam um caráter mais estático, enquanto Bisilliat
fotografa com luz natural e captura uma sensação de movimento. Segundamente, é
possível observar certos pontos de convergência entre ambos ao dispor um olhar
mais atento ao examinar a obra “Deus da cabeça” e “Menino anjo”, posto que
ambos utilizam as texturas e o contraste entre o preto e o branco para promover
uma sensação táctil e cativar o olhar do admirador. Por fim, é evidente que ambos,
mesmo que com suas diferenças estilísticas, compartilham fundamentos da
fotografia e transpõem suas visões e valores ao produzirem suas obras, além de
terem, certamente, influenciado muitos jovens fotógrafos.
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| Auto retrato de Mario Cravo Neto |
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| Foto de Maureen Basilliat |



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